
Quando era criança uma de minhas brincadeiras favoritas era brincar de “cozinhadinho”. Eu, minha irmã e duas vizinhas, na mesma faixa etária que a nossa, montávamos uma trempe, providenciávamos fogo com pedaços de pau que conseguíamos nas redondezas (não sei como) e preparávamos nossa comida. Normalmente uma panelinha de arroz e outra de feijão. Se as mães estivessem de bom humor e generosas no dia a gente ainda conseguia mais alguma coisa pra fazer de “mistura”.
Como se tratava de algo um pouco perigoso, afinal iríamos brincar com fogo, raramente conseguíamos autorização para a brincadeira. As mães só autorizavam quando dava para monitorar tudo de perto. Mas por ser tão esporádica, negociada e rara, que ela era especial. Sem falar na sensação de independência que nós sentíamos ao preparar a própria comida. Era nossa obra, nossa conquista. Normalmente a comida tinha um gosto de queimado, mas isso não tirava nosso prazer em comê-la.
Gostava tanto disso que minha avó Flora, mãe do meu pai, me presenteou com duas panelinhas de alumínio, bem pequeninas, super fofas para usá-las quando brincássemos. Eu cresci assim como minha irmã e minhas amigas e nossas atenções mudaram. As panelinhas se perderam e nunca mais brincamos de “cozinhadinho”.
Sempre apreciei a boa culinária, mas nunca gostei de cozinhar. Adoro programinhas de jantar na casa dos amigos ou restaurantes, mas nunca tive um bom desempenho na cozinha. Ao contrário da brincadeira de criança, não sentia prazer na lida com as panelas. Para mim o tempo de preparo da comida era longo e trabalhoso demais para apenas alguns momentos de prazer.
Sempre admirei quem gosta de cozinhar. Diversas vezes vi a felicidade nos olhos da minha amiga Aninha ao nos ver deliciando com as comidinhas que preparava. Adorava ver a Viviane narrando os pratos que havia preparado para um cliente. Além disso, sou uma mulher de sorte já que quase todos os meus namorados curtiam cozinhar e é impossível esquecer os jantares que me prepararam.
O tempo passou e recentemente tenho sentido um prazer que jamais imaginei ser possível: prazer em cozinhar! Tenho aprendido muito em minha convivência com o Ângelo, com sua família, com os italianos, a importância de se comer bem, de forma saudável, usando alimentos de qualidade. Soma-se a isso a experiência de viver sozinha em um País onde a culinária não é das mais interessantes. Na Irlanda acabei indo trabalhar em uma pizzaria. Apesar de o local estar longe de ser um espaço para criatividade, de alguma forma a convivência com o Adnan, o gerente paquistanês que sonhava em se tornar um chefe de cozinha rendeu boas conversas e algumas receitas.
Dividir um apê com um francês cuja ex-namoradora deixou um monte de livros de culinária também foi uma boa influência. Nos dias em que estava triste, me sentindo sozinha, acabei descobrindo o prazer de cozinhar naqueles livros herdados tortamente da Stéphanie. Pra não comer sozinha, convidava meu colega francês. Minha sorte é que ele não era nada exigente. Comia tudo o que eu cozinhava e achando bom. Isso fez com que não me sentisse intimidada em me arriscar na cozinha. Agora, dia após dia tenho sentido como é gostoso cozinhar. Hoje entendo a felicidade nos olhos da Aninha.
Como se tratava de algo um pouco perigoso, afinal iríamos brincar com fogo, raramente conseguíamos autorização para a brincadeira. As mães só autorizavam quando dava para monitorar tudo de perto. Mas por ser tão esporádica, negociada e rara, que ela era especial. Sem falar na sensação de independência que nós sentíamos ao preparar a própria comida. Era nossa obra, nossa conquista. Normalmente a comida tinha um gosto de queimado, mas isso não tirava nosso prazer em comê-la.
Gostava tanto disso que minha avó Flora, mãe do meu pai, me presenteou com duas panelinhas de alumínio, bem pequeninas, super fofas para usá-las quando brincássemos. Eu cresci assim como minha irmã e minhas amigas e nossas atenções mudaram. As panelinhas se perderam e nunca mais brincamos de “cozinhadinho”.
Sempre apreciei a boa culinária, mas nunca gostei de cozinhar. Adoro programinhas de jantar na casa dos amigos ou restaurantes, mas nunca tive um bom desempenho na cozinha. Ao contrário da brincadeira de criança, não sentia prazer na lida com as panelas. Para mim o tempo de preparo da comida era longo e trabalhoso demais para apenas alguns momentos de prazer.
Sempre admirei quem gosta de cozinhar. Diversas vezes vi a felicidade nos olhos da minha amiga Aninha ao nos ver deliciando com as comidinhas que preparava. Adorava ver a Viviane narrando os pratos que havia preparado para um cliente. Além disso, sou uma mulher de sorte já que quase todos os meus namorados curtiam cozinhar e é impossível esquecer os jantares que me prepararam.
O tempo passou e recentemente tenho sentido um prazer que jamais imaginei ser possível: prazer em cozinhar! Tenho aprendido muito em minha convivência com o Ângelo, com sua família, com os italianos, a importância de se comer bem, de forma saudável, usando alimentos de qualidade. Soma-se a isso a experiência de viver sozinha em um País onde a culinária não é das mais interessantes. Na Irlanda acabei indo trabalhar em uma pizzaria. Apesar de o local estar longe de ser um espaço para criatividade, de alguma forma a convivência com o Adnan, o gerente paquistanês que sonhava em se tornar um chefe de cozinha rendeu boas conversas e algumas receitas.
Dividir um apê com um francês cuja ex-namoradora deixou um monte de livros de culinária também foi uma boa influência. Nos dias em que estava triste, me sentindo sozinha, acabei descobrindo o prazer de cozinhar naqueles livros herdados tortamente da Stéphanie. Pra não comer sozinha, convidava meu colega francês. Minha sorte é que ele não era nada exigente. Comia tudo o que eu cozinhava e achando bom. Isso fez com que não me sentisse intimidada em me arriscar na cozinha. Agora, dia após dia tenho sentido como é gostoso cozinhar. Hoje entendo a felicidade nos olhos da Aninha.
6 comentários:
meus olhos tb brilham qdo acerto a mão...
Também cozinhávamos no quintal: carne moída frita com feijão e álcool (é, álcool!). Até o dia em que meu irmão botou fogo no porão...
Hoje sou cozinheiro de mão cheia e já fui doceiro. Minha esposa é uma 'Chef' e as minhas meninas cozinham muito bem. Enfim, adoramos a boa mesa. (Aprender foi um longo caminho...)
Magali!
Magali!
Magali!
E a propósito, a casa nova está nova. Espero você e Ângelo lá. Vamos fazer uma boa macarronada. Mamma Mia!!!!!!
Magali!!!!!!!!!!!!!!
Ah, eu sou especialista em Cup Noodles, he!.
Cadê você?
Se quiser voltar com um convite, eis:
O Faça a Sua Parte estará sorteando o livro “Seis Graus: o aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe” do ambientalista Mark Lynas.
Participar é fácil: escreva um post no seu blog com dicas de como presentear de forma ecológica e informe-nos neste link: http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2008/12/o-natal-do-faca.html#comments
Mas volte. :)
Amanda, gostei do seu post! Dê uma entradinha no meu blog. É sobre comida.
Se gostar adcione aos seus favoritos. O seu já figurará entre os meus.
Beijão.
Rogério
oquecomi.blogspot.com
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